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domingo, 27 de janeiro de 2013

Liderando como os grandes maestros




Vídeo sensacional!

Itay Talgam fala sobre os tipos de liderança que os maestros exercem junto às suas orquestras e não há como deixar de fazer uma analogia com o papel dos gestores de pessoas nas organizações, especialmente as escolares. 

Num concerto, as histórias se fundem. Há a história da orquestra, como instituição; do público, como comunidade e dos músicos. Há, ainda, outras histórias ocultas, das pessoas que construíram a sala de concertos, tão linda, das pessoas que fizeram aqueles instrumentos bonitos. E todas elas são ouvidas ao mesmo tempo. Essa é a real experiência do concerto ao vivo.

O funcionamento de uma organização é também uma fusão de histórias sob o comando de um “maestro” que, como nos mostra Talgam, carece mais de sabedoria, leveza e cumplicidade, que de controle rígido e impessoal, afinal, a música original ficará sempre e tão somente na cabeça do maestro, a audição do concerto, para ser inebriante, deve permitir que venham à tona as histórias individuais, e o maestro, cálido de sua função, é o responsável por harmonizar esse conjunto.

O vídeo não traz um rol de técnicas para gestores, mas, de uma forma leve e descontraída, provoca a reflexão sobre o exercício da autoridade na atuação de um líder. Muito bacana!!

domingo, 26 de agosto de 2012

Trabalho sem fim?

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Óleo sobre tela de by Franz von Stuck (1863/1928)

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado  pelos deuses a carregar uma grande pedra até o alto de uma montanha e quando chegava lá, a pedra rolava abaixo obrigando-o a retomar o esforço,  num trabalho sem fim.
Trago o mito que deu origem à expressão “trabalho de Sísifo”, para uma representação do que sentimos quando nos deparamos com um trabalho entediante e que parece nunca ter fim, numa breve reflexão do trabalho na escola.
A ideia de trabalho como castigo remete, inversa e imediatamente, à de que somente nas horas de lazer, ou de não trabalho, se pode encontrar alegria ou prazer e, visto por esse ângulo, o dito popular “Descubra algo que você gosta de fazer e você nunca mais terá trabalho” faz muito sentido, servindo como uma espécie de superação do castigo posto. Diante disso, parece muito simples: ninguém mais será penalizado com trabalho à medida que se ocupa daquilo que gosta de fazer, certo? Sim e não. Não se pode negar que há profissionais que se envolvem com trabalhos que são uma espécie de prolongamento de seu lazer, são  tão evidentemente felizes que parece não haver martírio algum em seu cotidiano, contudo, sabemos que a vida profissional, via de regra, não se mostra assim. O dia-a-dia da profissão que escolhemos nos impõe desafios que não antecipamos, com os quais muitas vezes não sabemos lidar e a “pedra” vai se tornando cada vez mais pesada, a “montanha” mais alta e o trabalho, infindo e inócuo.
Na escola, a sensação de trabalho sem fim é agravada pelo fato de que se trabalha com o intangível. Conhecimento não se pode tocar ou medir. Avaliamos comportamentos de aprendizagem, mas muitas vezes, a mudança é tão tênue que nos remete à sensação de fracasso e impotência. Raras são as vezes em que podemos acompanhar a evolução da aprendizagem de um aluno a médio e longo prazo. Trabalhamos com uma lógica imediatista que não condiz com o desenvolvimento humano. E nos frustramos... E acreditamos que nosso trabalho é um sem fim de tentativas vãs... É claro que temos ações bem-sucedidas  que nos enchem de satisfação e energia, mas são os desafios apontados pelo suposto fracasso escolar que nos atormentam, nos tiram o sono e o sossego.
A superação do imaginário do castigo, que se consolida por essa  visão imediatista de sucesso escolar, talvez seja um caminho bastante próspero para o abandono da ideia do “trabalho de Sísifo” na educação. A busca de possibilidades, que se opõe ao apego às dificuldades, pode ser um exercício importante para que possamos envidar esforços reais para uma visão sistêmica de trabalho pedagógico, considerando o “sem fim” como um contínuo na ação do outro e não como algo que teria de ser acabado, posto que o conhecimento é infindo por natureza.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A reinvenção do prazer

Há alguns dias, durante um programa interativo de rádio, cujo tema discutia a escolha profissional de jovens e adolescentes, os pais expuseram suas aflições e dúvidas sobre “como ajudar seus filhos na escolha de uma profissão que lhes propicie prazer”. Diante da repetida preocupação ali observada, alguém fez um comentário que me causou impacto (e põe impacto nisso!):

“Ora, vamos parar com essa história de querer ter prazer em tudo! Prazer está em sexo, beijo na boca e comer, o resto fazemos porque precisamos e pronto.”

Não me recordo o nome do autor da frase, apenas sei que era um profissional da área da psicologia e/ou da educação. De qualquer forma, quero me ater à sua citação sem aprofundar-me na comprovação ou não de seu conteúdo, e sim, provocar algumas reflexões acerca dessa tese da busca incessante de prazer em tudo que se faz, especialmente no trabalho.

Aliar prazer e trabalho é simplesmente o máximo! E agora? Só resta aceitar a idéia de que devemos simplesmente trabalhar e pronto? Minha rebeldia não me permite tamanha passividade.

Talvez a grande sacada seja a reinvenção do prazer, tornando-o [sim!] um componente sine qua non do cotidiano profissional. É claro que, aos 16 ou 17 anos, não se pode ser tão assertivo na escolha de uma carreira, seria ingenuidade demais acreditar nisso. Contudo, durante toda a “estrada” é possível reinventar o prazer pelo trabalho e romper com a “zona de conforto” que absorve a alma dos profissionais, os aliena e tolhe de qualquer evolução.

Sobre esse tema, muito oportuna é a contribuição de Alcides Ferri: “A zona de conforto conduz o profissional à acomodação e à falta de iniciativa, ou vice-versa. O indivíduo permanece onde tudo é familiar. Na zona de conforto não existe aprendizagem (..) A aprendizagem existe na zona de desconforto voluntário.”

A partir dessa miscelânea de idéias soltas, concluo com a seguinte provocação: Você já experimentou reinventar o prazer pelo seu trabalho? Acomodar-se na zona de conforto te traz prazer? Não vivemos somente de sexo, beijo na boca e comida, então... Mãos à obra!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Os desafios da comunicação

Quem de nós, em seus diversos contextos profissionais, ainda não se sentiu constrangido ao ser questionado sobre uma informação que fora transmitida via e-mail, e para a qual não demos a devida importância?
Não é preciso explanar aqui sobre as estatísticas atuais, para concluir que a rotina diária de trabalho nos expõe a um número tão grande de mensagens eletrônicas, que torna impossível a absorção qualitativa das informações ali expressas. Somos levados a estabelecer “filtros” que sintetizam a leitura, selecionando o que é importante e, humanos que somos, nem sempre o fazemos com 100% de acerto.
Sem nenhuma intenção de ser saudosista, não se pode negar que a era da informação tecnológica por excelência nos impõe desafios redobrados no que tange às estratégias de comunicação e informação, seus limites e possibilidades. Qual é o limite da comunicação via e-mail? Sinalizar uma mensagem eletrônica como de “alta prioridade” é suficiente para que seja compreendida? E ainda: essa comunicação substitui todas as outras?
O desafio de superar as falhas de comunicação nas organizações é antigo. Quadros de avisos, bilhetes e, hoje, as bateladas de e-mails. E continuamos nos perdendo em meio às informações, sem estabelecer propostas reais de comunicação. Sim! A escrita e a leitura não são os únicos meios de comunicação e, em grande parte das vezes, não são capazes de substituir a oralidade. Tenho me deparado com pessoas que, de tão habituadas à comunicação escrita, falam como se estivessem escrevendo. É o fim!
As relações humanas são, por natureza, complexas, permeadas de peculiaridades, muitas vezes conflituosas, mas à medida que nos afastamos do diálogo real, priorizando a comunicação eletrônica, certamente nos afastamos do entendimento, da construção de vínculos de confiança e respeito e, lamentavelmente, desumanizamos as relações.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Que história é essa de Geração Y?

Quem são esses jovens que estão abalando as estruturas das organizações, fazendo com que seus líderes se desdobrem em estratégias criativas capazes de reter seus talentos?
Nascidos nas décadas de 80 e 90, eles são ousados, questionadores, confiantes, criativos, facilmente adaptáveis a mudanças, contudo sem a mesma noção de autoridade hierárquica e o formalismo das gerações que os precederam. Têm pressa, estão focados em carreira, nem tanto em fidelidade.
Esses são os jovens que tiram o sono dos profissionais da educação já há mais de duas décadas. Filhos da geração X, que viu ruir a ditadura militar, questionou e desafiou proibições e que, acreditando na ideologia da construção de uma sociedade democrática, educou filhos e alunos para discutir paradigmas, protestar, fazer valer seus direitos etc.
Ora, por que a perplexidade diante do comportamento desses jovens? Eles foram educados para serem assim, e são. Sucesso absoluto! Parece que o incômodo reside justamente no fato de que quando educamos para a autonomia, para desenvolver o espírito questionador, não esperávamos que esse comportamento fosse direcionado a nós mesmos, ou melhor, não esperávamos um comportamento que revelasse um estilo de vida tão diferente do nosso.
Sim! Eles conversam nas redes sociais, estudam, se alimentam, ouvem música, tudo ao mesmo tempo! Há trinta ou quarenta anos, os pais ficavam indignados vendo seus filhos estudando com o som ligado e os livros espalhados pela cama, esbravejavam: “Como é possível estudar desse jeito?!”.
Conflito de gerações: Este é o ponto.
Os jovens da geração Y precisam ser “olhados através de outras lentes”. Perspectivas de longo prazo sem planos de curto prazo não os seduzem, imposições sem significado não os intimidam, argumentos sem coerência não os convencem. E a tarefa não está acabada, a participação das outras gerações nesse movimento é imprescindível! Eles esperam por intervenções em suas ações, sabem o que os mais experientes têm a lhes oferecer e estão ávidos por isso, querem se sentir desafiados, necessitam de mais flexibilidade e liberdade, de propósitos.
Transpor modelos de comportamentos arraigados em padrões já tão familiares às condutas humanas não é nada fácil, mas que tal se pudéssemos compor os padrões e “orquestrar” as diferenças a favor de uma melodia mais suave e harmoniosa?

Vale lembrar, senhor ministro.

Em protesto silencioso, professores vencedores do prêmio Professores do Brasil,   erguem livro de Paulo Freire em foto oficial, com minist...